Breu - Diário de Bordo

Ideias de um domingo à tarde

IMAGEM POST #1 BLOG - BREU  (Pequeno) João Paulo e Yago no Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, 2024. Fotografia de Paulo Liv e Ierê Ferreira

Era um desses domingos de tarde, dia de preguiça, tomando uma cervejinha no quintal, improvisando um churrasco na casa do Joãozinho — João Paulo Freitas, no bairro Suely em Vespasiano —, que ele falou pela primeira vez pra mim, Yago Guedes, da ideia que teve: a de um filme chamado Breu. Filme que o João, generosamente, me chamaria pra escrever junto dele pouco tempo depois.

Éramos estudantes da graduação de Cinema da PUC Minas, ainda no início, cheio de sonhos. Já conhecíamos vagamente a rotina de um set de cinema, planejávamos os próximos processos e assim como escolhíamos a marca de cerveja mais barata para aquele momento, sabíamos das dificuldades de fazer cinema independente.

O Breu então surgiu como um projeto futuro, um futuro em que pudéssemos chamar mais pessoas para fazer parte deste set. A verdade é que a ideia era tão simplória, quanto sólida. Forte. Um lavrador que seria o último a levar luz para a sua própria casa, gerando um apagão nas outras moradias do distrito quando a sua se ascende, causando inveja geral e uma espécie de revolta classista.

O tempo foi passando, a graduação foi avançando, outros projetos foram sendo colocados à frente, conforme a Universidade exigia em seus exercícios. Mas a ideia do Breu, trocadilhos à parte, nunca se apagou. Mal sabíamos que essa pulsão seria parte fundamental para a criação do coletivo audiovisual que nós dois estamos inseridos, a Retrogosto Filmes, com o qual dividimos desafios e felicidades na nossa corrida pelo audiovisual mineiro, juntos de amigos e amigas da profissão e do coração.

Em 2019, na base que formaria o nosso coletivo, formamos a equipe técnica do, à época, roteiro de longa-metragem do Breu. Seria o nosso trabalho de conclusão de curso. O que era uma apenas uma sinopse anos atrás passou a ter personagens, situações, inspirados em pessoas que conhecíamos e em referências diretas do cinema e da história brasileira. Tínhamos a nítida vontade de transformar o Breu em um longa-metragem, o nosso primeiro após uma breve trajetória de curtas-metragens. Chegamos a visitar locações, montamos um elenco, mas aí veio a pandemia do Covid-19.

O filme ficou em um processo de hibernação por quase três anos. Nesse meio tempo, nos formamos na graduação em regime remoto e transformamos o filme em uma monografia e um objeto de pesquisa. Se olharmos toda a trajetória do filme, esse hiato foi um momento importante para as nossas trajetórias. Tivemos mais tempo para pensar e planejar melhor a história. Ver e ler referências que influenciaram diretamente o trabalho. Além de termos amadurecido como pessoas e como profissionais durante esse distanciamento.

Em 2022 entramos em um set de filmagem após três anos para realizar o, agora, curta-metragem “Breu”. Uma outra versão da história, mais reduzida, focado em apenas uma locação, realizada por meio de um financiamento coletivo, essencialmente apoiado por parentes e amigos da produção.

Todo esse tempo com uma ideia na cabeça nos deu a noção que despretensiosamente tínhamos criado um universo pulsante e bastante expansivo. O curta-metragem, portanto, foi considerado apenas um primeiro passo para a, esperamos, longa trajetória do Breu. Em 2024, através do EDITAL DE SELEÇÃO LEI PAULO GUSTAVO Nº 004/2023 - FOMENTO AO AUDIOVISUAL DE CONTAGEM, honramos os nossos primeiros anos de idealização e voltamos a planejar outro contexto em que o Breu se encaixasse dentro da estrutura de um longa-metragem.

E é este o nosso objeto para a criação deste blog — o da documentação dos nossos passos para tornar esse projeto possível. Nos vemos numa próxima, onde contaremos mais sobre a idealização, sobre parcerias e processo de escrita. Até breve!

#yago